Meu perfil
BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, Homem, de 56 a 65 anos, Portuguese, Spanish, Livros, Livros
Outro -




Arquivos

Votação
 Dê uma nota para meu blog

Outros links
 UOL - O melhor conteúdo
 BOL - E-mail grátis
 Nagib Anderáos Neto
 Logosofia
 Recanto das Letras




Blog de nagib anderáos neto
 


Uma Fórmula de Felicidade

 

 Quando pequenos, queremos crescer, e por acharmos que somos imortais, empurramo-nos como a areia que desce serena e decididamente na ampulheta em seus primeiros momentos. Os tempos da infância demoram a passar, assemelham-se à eternidade. Mais tarde, o tempo curva-se sobre nós e curvamo-nos à realidade, mas nossos sonhos e esperanças nos vão mantendo vivos, despertos, alegres, felizes e lutando. O espectro da morte passa ao largo, pois nosso entusiasmo é maior.

 

A adversidade - mestra rigorosa – muitas vezes quer subjugar-nos, mas vamos aprendendo a transformar as pedras em flores e agradecer a existência daqueles obstáculos que nos põem à prova à medida que vamos vivendo, caminhando, apreciando a viagem, o colorido dos dias ensolarados, o recolhimento nos dias chuvosos, não querendo chegar ao fim da estrada, pois algo nos impulsiona a viver mais e mais: um filho que vai chegar, um outro que está crescendo, o amor que quer sobreviver, a esperança de se tornar uma pessoa melhor, a vontade atávica de viver e ser feliz.

 

                     Qual o segredo, a mágica dominada por aqueles que trazem sempre um sorriso no rosto e o coração cheio de alegria? Há certos segredos que não vêm de magias, senão de conhecimentos, mágicas chaves que podem abrir as cerradas portas do entendimento.

 

A fórmula da felicidade pode ser simples ou não. Ninguém consegue se sentir feliz se não for capaz de reter na recordação os pequenos momentos de alegria que vai vivendo. Cada pequeno momento unido a outro vai formando um singelo e maravilhoso colar pessoal chamado felicidade. E , dependendo do adestramento de quem o fabrique, poderá se constituir num escudo protetor contra os de tristeza, desânimo e depressão.

 

A alegria é um estado pessoal expansivo. No momento em que se a experimenta, a vida se amplia e mal se consegue reter a energia que dela provem. O pessimismo, por outro lado, destrói ideais, subtrai energia e estreita a vida que não pode desmoronar por causa de uma contrariedade; é um pensamento negativo que torna as pessoas tristes e precisa ser combatido.

 

Todos buscam ser alegres e felizes. No entanto, a alegria é fugaz. Muitos acreditam ser a vida um vale de sofrimentos e penúrias. E essa crença é tão forte que ela se transforma num martírio interminável. Mesmo uma pessoa muito rica pode ser muito infeliz se sua inteligência é pobre e sua sensibilidade endurecida.

 

O jogo- do- contente, celebrizado pela famosa personagem de um conhecido romance juvenil, encarna uma realidade pouco compreendida pela maioria dos seres humanos: a felicidade é alcançável e sua conquista depende muito do empenho de quem a busque; poder-se-á encontrá-la profundezas do sentir, ali onde são registrados os episódios vividos de grata repercussão na vida. A gratidão traz felicidade; recordar a ajuda recebida ou a alegria vivida credencia a pessoa para futuros momentos de alegria e felicidade.

 

Para ser feliz é necessário querer do fundo do coração, e buscar a felicidade nos mínimos aconteceres, e registrá-los como num álbum de fotografias, para que não sejam esquecidos e possam substanciar dias futuros.

 

Inteligência e alegria deveriam andar de mãos dadas. Uma forma de felicidade é a boa convivência com as outras pessoas. Todo esforço neste sentido é um investimento moral cujo retorno é infinitamente superior ao esforço empreendido.

 

Nagib Anderáos Neto

www.nagibanderaos.com.br

www.twitter.com/anderaosnagib

 



Escrito por nagib às 16h57
[] [envie esta mensagem
] []





A Arte de Amar de Erich Fromm

 

The Art of Loving, o título original americano. No Brasil, publicado em 1960, fez grande sucesso entre jovens leitores, e Erich Fromm tornou-se autor consagrado. Quem não leu, ouviu falar. Os jovens se revoltaram contra o autoritarismo, as superstições e as guerras. Certas leituras eram obrigatórias: Simone, Hesse, Amado, Bertrand Russel. Os pais autoritários e o governo militar eram os alvos preferidos daquela rebeldia. O “Por que não sou Cristão” de Russel andava de mãos em mãos.

 

A ordem era ampliar a área da consciência, diziam os intelectuais de plantão, sem que tivessem uma idéia clara do que fosse a consciência. Soava bem. Da mesma forma que a inadmissibilidade do amor sem conhecimento.

 

Sendo o amor uma arte, exigiria esforço e conhecimento. E o domínio dela nada teria a ver com sucesso, poder, dinheiro. Sem ele, a humanidade não existiria. Implicaria cuidado, responsabilidade, trabalho, respeito, dedicação e liberdade.

 

O egoísta, por outro lado, veria apenas a si, endurecendo o coração. O amor-próprio e o egoísmo levariam à solidão. Ao ajudar o outro, deixaria de estar só; e teria muito a ver com o amor a Deus despertado pelo amor ao homem, à humanidade.

 

Sem amor, a humanidade não existiria. Nele ocorre o paradoxo de que duas pessoas sejam uma, embora permanecendo duas.

 

O homem moderno se tem distanciado dele por só pensar em produzir e consumir. A eficiência da economia é medida por estes parâmetros. E desta forma, afastando-se do amor, ele passa a ser parte de um grande rebanho sem individualidade; obedece, trabalha ,consome numa vida rotineira e mecanizada. Não muda, não se supera, tudo é trabalho, consumo e diversão.

 

A cultura contemporânea afastou o homem do amor por estar baseada numa falsa liberdade política e na equivocada idéia de que o mercado tudo regula.

 

Dirigentes são impostos por partidos, agrupamentos, associações e sindicatos que são dirigidos por pessoas que vêm o próprio interesse acima do comum. O mercado é regido por grandes empresas internacionais associadas a governos, impondo produtos, preços e padrão de consumo. A grande mídia nas mãos de grandes empresas autorizadas por governos que direcionam as pessoas para que consumam o que não necessitam.

 

Os homens querem consumir cada vez mais: coisas, informações inúteis, imagens de violência e desgraça; seres previsíveis e influenciáveis, distantes cada vez mais dos semelhantes e da Natureza.

 

Na Arte de Amar o autor afirma que Freud escreveu muita bobagem, como, por exemplo, que o amor é um fenômeno irracional; que enamorar-se seria tornar-se anormal, cegar-se.Mentes confusas como as de Freud e Marx apontando para uma felicidade utópica apoiada no sexo, riqueza, ceticismo e acaso.

 

O livro trata da teoria e prática do amor, e de tudo o que o exclui. Diz que a prática não pode ser ensinada, senão praticada, já que como gérmen ele existe no coração de todo o ser humano. Exige certa disciplina de vida, nada tendo a ver com a rotina diária de um trabalho aborrecido e repetitivo. E também concentração e paciência. Diz o autor que “o homem moderno pensa que perde alguma coisa – o tempo – quando não faz as coisas rapidamente; todavia, ele não sabe o que fazer com o tempo que ganha – a não ser matá-lo“. E que se deve ser “ativo em pensamento, sentimento, olhos e ouvidos, o dia inteiro“; concluindo que “o amor é a última e real necessidade do ser humano”.

 

Nagib Anderáos Neto

www.nagibanderaos.com.br

 

     

 



Escrito por nagib às 17h12
[] [envie esta mensagem
] []





22 de Março - Dia Mundial da Água

 

 

 

 

A situação do abastecimento de água no mundo é preocupante. Mais de um bilhão de pessoas não têm acesso a ela; dois bilhões e 400 milhões de pessoas não dispõem de saneamento, com projeções alarmantes para 2025 quando bilhões de seres humanos sofrerão sérias conseqüências por sua escassez.

 

O Brasil, que possui 14 % da água doce existente no mundo, tem muito que fazer para cuidar deste bem valioso e finito, pois cuidar da água significa cuidar da vida do homem na Terra.

 

Este é um assunto de muita importância e os políticos por ele resvalam, como no caso da educação, talvez por estarem intimamente ligados às liberdades individuais. A água é estratégica, ligada à soberania, à economia e à saúde, embora não dê votos, sendo esquecida pelos políticos.

 

O cuidado com a água reflete educação e desenvolvimento, coisa também escassa por aqui. Não há consciência sobre a importância do uso racional e a necessidade de proteção dos rios e das águas subterrâneas através do adequado afastamento e tratamento do esgoto doméstico e industrial.

 

E não são apenas os políticos que só pensam no voto os que fogem do assunto; a imprensa também, e quase toda a população que poderia adotar eficientes medidas em suas residências através do consumo inteligente que economiza e reusa.

 

  Para muitos políticos interessa o voto das massas que se amontoam em assentamentos irregulares - muitas vezes promovidos por eles próprios – onde crianças convivem com água contaminada, adquirindo graves doenças invisíveis que as levarão ao sofrimento e à morte. Mais de três mil crianças morrem diariamente no mundo em decorrência de doenças que provêm da água contaminada. No Brasil, 80% dos esgotos não são tratados sendo jogados “in natura” nos corpos de água contaminando o que será consumido por pessoas que adoecerão agravando o enorme passivo previdenciário. E o investimento dos governos é pífio. O País não tem os recursos necessários para enfrentar o passivo em saneamento, e há políticos contrários aos investimentos da iniciativa privada nessa área. Segundo a Organização Mundial de Saúde, cada dólar investido em saneamento básico significa uma redução de quatro a cinco dólares nas despesas hospitalares.

 

Sessenta por cento do consumo destinam-se à irrigação na agricultura que aqui é feita precariamente, com uma tecnologia medieval de inundação por falta de informação e financiamento. Boas técnicas e bons projetos poderiam reduzir este consumo pela metade, liberando grande quantidade para o humano nas cidades onde vivem oitenta por cento da população.

 

É necessária uma profunda mudança no entendimento e nas iniciativas da sociedade para encarar o sério problema da água que já estamos enfrentando e poderá se agravar muito, mesmo em nosso País, tão bem servido por este bem impagável, mas onde ainda persiste a falsa cultura da abundância e do desperdício. No Brasil, as perdas de água tratada nas tubulações variam de 40% a 60%, quando deveriam variar de 5% a15%, como nos países desenvolvidos, por falta de investimento do poder público que tem orçamento restrito.

 

Cuidar da água é cuidar da Natureza, da vida na Terra e do ser humano.

 

Como muito bem escreveu Guimarães Rosa, “a água de boa qualidade é como a saúde ou a liberdade: só tem valor quando acaba”.

 

 

Nagib Anderáos Neto

www.nagibanderaos.com.br

 



Escrito por nagib às 10h46
[] [envie esta mensagem
] []





O Homem Não É Um Animal

 

 

 

Pensar por própria conta custa certo esforço, como todo ato criativo, e exige preparo, treino, exercício diário. É diferente de sonhar, lembrar, imaginar. Ao criar, a imaginação, o sonho e a recordação poderão ajudar. Seja uma pintura, um filho, um pensamento, o criador se confunde com sua obra, vive nela.

 

Pensar é respirar. Sem ar o corpo expira. Sem pensar, a alma dorme. Quem não pensa vive repetindo coisas pensadas por outros, submete-se, repete-se.

 

A rotina é inimiga da criação, como a preguiça, a indiferença e o conformismo. Os animais se repetem, o homem pode se diferenciar, se transformar, mudar no breve hiato entre o nascimento e o desenlace fatal. Se ele fosse um animal – com o perdão de Darwin – estaria sujeito à lenta lei evolutiva que rege todos os processos da Natureza.O fato de se cogitar que os seres vivos descendam de um ancestral comum não significa que o homem, resultado de uma evolução biológica, seja um animal. Devemos nos contrapor às ondas anacrônicas do criacionismo, mas daí a nos nivelar aos animais é um grande equívoco. Como tem inteligência e pode ser consciente, seu corpo está sujeito àquela lei em sua conformação biológica, mas sua inteligência e sensibilidade, sua alma enfim, podem empreender a sucessão de mudanças evolutivas que os conhecimentos permitem.

 

A rotina leva à depressão. A monotonia da repetição traz tristeza. Alegria tem a ver com renovação.A passividade e a ignorância podem nos levar a nos confundirmos com os animais. A atividade e o conhecimento nos elevam e nos liberam da mediocridade que nos querem impor os impostores.

 

As perguntas que todos devemos nos formular são as seguintes: Por que estou neste mundo? O que devo fazer dele? O meu nascimento e minha vida são obra do acaso ou têm uma finalidade? O meu existir é contingente?

 

Talvez tenhamos nascido para viver, criar e sonhar. Talvez para saber a razão desta existência. A atividade e o conhecimento nos elevam e nos liberam da mediocridade que nos querem impor os mercadores da verdade.

 

Se não somos filhos privilegiados desta criação, por que somente nós somos capazes de pensar, criar e nos modificar?

 

O homem do futuro, biológica e mentalmente falando, será herdeiro do homem do presente. Os evolucionistas céticos parecem não perceber essa ligação hereditária, pois ao homem biológico sucedem os pensamentos que ele for capaz de criar, dar vida, e que a ele sobreviverão, e poderão inspirar outros homens a que pensem também, que criem pensamentos que se imortalizem em obras que beneficiem a toda a espécie.

 

A vida do homem na Terra é um átimo no infinito processo universal. Espelhar-se nele é fator inteligente para a pequena espécie, que, prematuramente, muito grande se julga. Os céticos dizem que todo esse processo evolutivo é obra do acaso. Seria o caso de lhes perguntar se o que entendem por acaso não seria o próprio Deus. Nada a ver com os deuses imaginários criados por mentes pré-históricas que encabeçaram empresas lucrativas que vêm explorando a ingenuidade dos incautos, senão aquele cuja face visível é o Universo, e a invisível os processos que o homem vai descobrindo através de sua incipiente ciência e sua consciência em formação.

 

 

Nagib Anderáos Neto

www.nagibanderaos.com.br

 



Escrito por nagib às 17h55
[] [envie esta mensagem
] []





O Homem não é Um Animal

http://schopenhauer-nagib.blogspot.com/2010/03/o-homem-nao-e-um-animal.html



Escrito por nagib às 14h53
[] [envie esta mensagem
] []





Os Verdadeiros Servidores da Humanidade

 

 

 

Um verdadeiro servidor da humanidade não pode pretender resolver questões sociais pelas armas, com violência e seqüestros, coisas próprias de um terrorismo retrógrado que ficou enterrado no romantismo esquerdista da década de sessenta e que não chegou a resolver nenhum daqueles problemas que ainda afligem as nossas sociedades.

 

As armas do homem deste século devem ser a inteligência e os sentimentos. Um mundo globalizado, com uma imprensa que se aperfeiçoa e a internete que permite que vozes antes inaudíveis hoje repercutam, permite o diálogo e o debate que alguns insistem calar através da violência e das anacrônicas guerrilhas.

 

Não se pode considerar que a democracia seja conquistada por exércitos revolucionários, pela força, que é a sua antítese; por agrupamentos criminosos que torturam, intimidam, seqüestram, matam e, depois de chegar ao poder, transformam-se nos mesmos ditadores que destronaram.

 

Mesmo que as notícias que nos cheguem sejam, às vezes, distorcidas, a realidade da violência intimidante destes grupos é inquestionável e indesculpável. Defendê-los é defender o terror e a babárie. A única arma capaz de combater a violência é a inteligência.

 

Todos devem repudiar a violência, lutar contra ela, mas com a inteligência, que é um dom dado ao homem e muito pouco utilizado por ser, antes de tudo, capacidade de convivência pacífica, o que o homem não aprendeu até hoje.

 

Aos intelectuais, políticos e homens de imprensa que apóiam as agressões mencionadas, não podemos mais que demonstrar o nosso protesto por utilizarem suas tribunas para insuflar os desentendimentos. Lamentavelmente, a nossa sociedade se apóia sobre o tripé dos interesses, dos prazeres e da ambição desmedidos, muitas vezes travestidos de mansidão e serviço à humanidade. As atrocidades medievais dos homens do poder repetem-se com acentuado grau de sofisticação. As duras lições impostas pelas guerras não foram entendidas. Os seres humanos continuam se destruindo e a Natureza com uma crueldade que animal algum seria capaz de perpetrar

 

O verdadeiro servidor da humanidade não tergiversa e nem crê em interpretações duvidosas sobre a realidade; age dentro dos limites de sua órbita com a inteligência e o coração; luta, mas não agride, começando por destruir em si mesmo as ideologias e superstições que encarceram os fanáticos de toda índole causadores de tanto mal.

 

Os melhoramentos humanos devem partir do indivíduo, para alcançar depois a sociedade. Nada deve ser imposto ao homem, nem mesmo a sua liberdade, que deve ser conquistada individualmente, começando por liberar-se de preconceitos seculares, temores infundados e deficiências pessoais resultantes de uma cultura materialista que afastou o homem de seus semelhantes.

 

A grande revolução a ser travada contra o anacronismo materialista e ideológico é cultural, psicológica e espiritual, levando ser humano a encarar sua própria realidade pessoal e a empreender a impostergável tarefa de seu aperfeiçoamento.

 

Nagib Anderáos Neto

neto.nagib@gmail.com

www.anderaosneto.zip.net

 

 



Escrito por nagib às 17h23
[] [envie esta mensagem
] []





Eleições e Palanque

 

O estímulo à iniciativa privada deveria ser base de toda política desenvolvimentista. O homem de iniciativa cria trabalho para si e outras pessoas. Às classes trabalhadoras se deve dar oportunidade de trabalho e iniciativa. Todo assistencialismo é pernicioso por acomodar o assistido, como a esmola que vicia, paralisa, entorpece.

Uma política econômica inteligente deveria estimular a iniciativa privada. Juros e impostos em ascensão desestimulam a produção gerando desemprego, estagnação e inflação.

Um governo mal gerido e endividado toma dinheiro no mercado para pagar sua ineficiência gerando inflação. Ao invés de estimular a educação e a iniciativa, promove o assistencialismo, aumenta sua dívida e encobre seus rombos através da desinformação e da tergiversação.

Para manter-se como governo indefinidamente, os partidos no poder negociam alianças que garantem votos através de gastos públicos indevidos, utilizando o dinheiro que lhes chega através de impostos crescentes e juros exorbitantes. Em outras palavras: o bolso do povo é subtraído legalmente através de conluios que aqueles partidos arquitetam.

Mas se é o próprio povo quem elege os governantes, onde está o problema?

Não podemos nos conformar com a crença retrógrada de que o voto implique democracia. O governo do povo para o povo deveria representá-lo, cumprindo seus anseios e a Lei Maior que não pode ser letra morta. Educação, saúde, trabalho, segurança e proteção ao meio ambiente deveriam ser os temas que ocupassem as mentes do homem público, e não a forma de se chegar ao poder e ficar nele indefinidamente.

O absolutismo partidário impõe os candidatos que lhes são convenientes para que se perpetuem.  O eleitor é obrigado a votar, e por imposição. Prova disto é o eterno retorno daquelas figuras histriônicas que estão sempre a se reeleger, não para servir o povo, senão a si próprios. A política, que deveria ser a arte de gerir o bem comum, transformou-se na arte de chegar ao poder e permanecer nele indefinidamente, até que uma força maior leve o político deste mundo para sempre, mas logo sendo substituído por outro igual, como uma praga que nunca se extingue.

O bem estar comum depende do incremento constante à livre iniciativa para o que os governos se tornaram grandes obstáculos. O desestímulo à produção gera inflação, aumento do custo de vida.

Uma fórmula básica de incremento à iniciativa é a educação que amplia a inteligência das pessoas e sua capacidade de produção e boa convivência. Mas os governos são muitos caros e gastam muito para se manter no poder, não lhes sobrando quase nada para a educação.

 

Muitos políticos parecem atores de telenovela que representam papéis que na vida real jamais poderiam desempenhar. Um ator que nunca cursou uma faculdade desempenha o de um economista, um administrador, um professor, um gestor público. Isto porque a política, que deveria ser a arte de gerir o bem comum, passou a ser a arte de chegar ao poder e permanecer nele, discursar e predicar, candidatar-se e eleger-se vitaliciamente. Ela não é somente exercida nos governos em suas diversas esferas. Os políticos estão por aí, nas empresas, associações, sindicatos, nos conluios e panelinhas, sempre a atender sonhos de poder e projeção. A ambição não olha apenas para a riqueza, olha também para os insanos sonhos de poder. Os políticos são, em geral, personalidades movidas por pensamentos farisaicos, medievais, cruéis. E estes pensamentos devem ser combatidos, pois todos nós temos um pouco destas manchas em nossas mentes que endurecem os corações.

Numa sociedade em que a raiz de todos os problemas reside na ausência de um sistema educacional eficaz, menosprezar a cultura e a educação é a política mais retrógrada pela qual se possa optar.

No mundo dos engenheiros e dos arquitetos é comum ouvir-se dizer que o papel aceita tudo. No triste mundo da política, cunhou-se um jargão piorado: o palanque, as câmeras e os microfones aceitam tudo.

Para que o capital não comande o trabalho, os grandes cresçam e os pequenos desapareçam; para que a burocracia gerencial, sindical e governamental deixe de atravancar o progresso; para que a massa popular deixe de ser rebanho, obedecendo, trabalhando, consumindo e se divertindo apenas, urge uma verdadeira revolução educacional que governo nenhum estaria prestes a realizá-la.

Como bem disse o Marquês de Condorcet, “sob a mais livre das constituições, um povo ignorante será sempre escravo”.

 

  Nagib Anderáos Neto

www.nagibanderaos.com.br

neto.nagib@gmail.com

 

 



Escrito por nagib às 16h29
[] [envie esta mensagem
] []





Menos Impostos e Mais Educação

 

 

 

 

O estímulo à iniciativa privada é a base de toda política desenvolvimentista. O homem de iniciativa cria trabalho para si e para outras pessoas. Às classes trabalhadoras se deve dar oportunidade de trabalho e iniciativa. Todo assistencialismo é pernicioso por acomodar o assistido, como a esmola que vicia, paralisa, entorpece.

Uma política econômica inteligente deveria estimular a iniciativa privada. Juros e impostos em ascensão desestimulam a produção gerando desemprego, estagnação e inflação.

Um governo mal gerido e endividado toma dinheiro no mercado para pagar sua ineficiência gerando inflação. Ao invés de estimular a educação e a iniciativa, promove o assistencialismo, aumenta sua dívida e encobre seus rombos através da desinformação e da tergiversação.

Para manter-se como governo indefinidamente, os partidos no poder negociam alianças que garantem votos através de gastos públicos indevidos, utilizando o dinheiro que lhes chega através de impostos crescentes e juros exorbitantes. Em outras palavras, o bolso do povo é subtraído legalmente através de conluios que aqueles partidos arquitetam.

Mas se é o próprio povo quem elege os governantes, onde está o problema?

Não podemos nos conformar com a crença retrógrada de que o voto implique democracia. O governo do povo para o povo deveria representá-lo cumprindo seus anseios e a Lei Maior que não pode ser letra morta. Educação, saúde, trabalho, segurança e proteção ao meio ambiente deveriam ser os temas que ocupassem as mentes do homem público e não a forma de se chegar ao poder e ficar nele indefinidamente. Enquanto a política for encarada como a profissão na qual os interesses pessoais estão acima do interesse público, os políticos não merecerão outro conceito que o que têm na atualidade e muito pouco diz em seus favores.

O absolutismo partidário impõe os candidatos que lhes são convenientes para que se perpetuem.  O eleitor é obrigado a votar por imposição. Prova disto é o eterno retorno daquelas figuras histriônicas que estão sempre a se reeleger e não para servir o povo, senão a si próprios. A política, que deveria ser a arte de gerir o bem comum, transformou-se na arte de chegar ao poder e permanecer nele indefinidamente, até que uma força maior leve o político deste mundo para sempre, mas logo é substituído por outro igual, como uma praga que nunca se extingue.

O bem estar comum depende do incremento constante à livre iniciativa para o que os governos se tornaram grandes obstáculos. O desestímulo à produção gera inflação, aumento do custo de vida.

Uma fórmula básica de incremento à iniciativa é a educação que amplia a inteligência das pessoas e sua capacidade de produção e boa convivência. Mas os governos são muitos caros e gastam muito para se manter no poder, não lhes sobrando quase nada para a educação.

Menos impostos e mais educação é a ordem do momento.

 

Nagib Anderáos Neto

neto.nagib@gmail.com

www.nagibanderaos.com.br

 

 



Escrito por nagib às 10h43
[] [envie esta mensagem
] []





Educação Sustentável

 Artigo 304

 

EDUCAÇÃO SUSTENTÁVEL

 

Preservar o meio ambiente é preparar um mundo melhor para a humanidade do futuro e protegê-la dos equívocos cometidos no passado, colocando o homem como a figura central no teatro da vida; é pensar com inteligência e colaborar com a Natureza para o ser humano realizar o objetivo para o qual foi criado: viver harmonicamente e aprender com seus irmãos no magnífico cenário que lhe foi presenteado.

Diz-se que a empresa do futuro deverá estar apoiada num tripé para desenvolver-se: qualidade do que produz, responsabilidade social e cuidado com o meio ambiente, a saúde e a segurança do trabalhador. Acrescentaríamos um quarto elemento: o desenvolvimento da capacidade de colaboração entre os que estão envolvidos dentro das empresas. Colaborar significa trabalhar em conjunto e harmonicamente para alcançar, além dos objetivos da empresa, a convivência pacífica entre as pessoas e as instituições diversas. Uma razão superior deverá nortear a razão humana.

A empresa de futuro colocará a palavra “serviço” em relevo nas suas atividades. Há uma enorme mudança cultural em andamento na forma de pensar e agir das pessoas. O trabalho voluntário começa a ser valorizado porque proporciona um crescimento pessoal sem precedentes, por fugir à rotina e desmontar o egoísmo atávico que esteve impregnado nas sociedades que nos precederam; ao servir, o maior beneficiado é quem serve com inteligência. Já se compreende que o trabalho voluntário proporciona um crescimento pessoal de inestimável valor. Muitas pessoas direcionam o seu tempo livre para atividades que pouco têm a ver com a rotina do dia-a-dia. Questões ambientais, culturais, filosóficas, educacionais, de segurança têm a preferência das pessoas que através de associações, organizações não governamentais ou Fundações agrupam-se em torno de objetivos claros e planejam tarefas que beneficiarão outras pessoas. Experimentam a realidade da importância da colaboração, ingrediente indispensável para a construção de uma nova sociedade.

Servir com inteligência é muito mais do que dar o peixe ou ensinar a pescar; é ensinar a pensar, a resolver problemas próprios e coletivos, a trabalhar em conjunto, a construir o futuro. Servir ainda é uma coisa rara nesta sociedade em que se busca sempre a vantagem pessoal ou se teatraliza uma generosidade e um desprendimento que não existem. E não há que se criar um dia da semana para assumir o papel de voluntário; deve ser um papel permanente, principal. Será necessário criar o pensamento de servir e querê-lo do fundo do coração, pois servir aos outros é a melhor maneira de servir a si mesmo.

A grandeza de uma cultura pode ser o fundamento de uma nação e amplia-se com o aumento da capacidade de estudo. A instrução continuada deverá ser o pilar principal de qualquer política. Tudo o mais será conseqüência dela, pois a maior vocação do espírito humano é a criação, a realização para o que o estudo contribui diretamente. A Pátria e o espírito da nacionalidade provêm dessa realização. O estudo individual e o coletivo unem os seres humanos numa realização e compreensão sobre as suas altas finalidades .

A educação é uma ferramenta fundamental para o desenvolvimento sustentável. E ela não deve ser restrita aos bancos escolares, senão alcançar o ambiente familiar e o do trabalho. Deve ser muito mais do que informação, senão percepção, entendimento e compreensão da vida em suas relações pessoais e com a Natureza. O contexto social que cada indivíduo compõe deve ser por ele entendido, bem como suas obrigações e responsabilidades.

A empresa socialmente responsável tem o dever de proporcionar o debate e a participação do trabalhador no ambiente de trabalho buscando soluções sustentáveis para o desenvolvimento social, pois as deficiências do sistema educacional do Estado são tão grandes que serão necessárias muitas décadas para que uma revolução educacional possa trazer algum resultado palpável por esta via.

 

 

Nagib Anderáos Neto

neto.nagib@gmail.com

 

www.nagibanderaos.com.br

 



Escrito por nagib às 15h08
[] [envie esta mensagem
] []





Sócrates e a Busca da Sabedoria

 

 

 

 

 

Sócrates era visto como um corruptor perigoso da juventude. A todos exortava a que não se preocupassem tanto com as coisas materiais, senão com a alma; que se tornassem pessoas boas. Um sábio que dizia nada saber e que poderia ter sido um ponto de inflexão cultural e dos costumes, mas não o foi. Tomou da cicuta cumprindo o destino que lhe fora imposto pelos juízes e políticos para as quais um povo que pensasse não seria conveniente. Quando o filósofo disse ser imortal, quis, talvez, significar que seus pensamentos e idéias sobreviveriam à sua morte e seguiriam pelos séculos como fachos luminosos para as inteligências que se decidissem por pensar.

 

Para o filósofo grego, nada mais interessava que a Verdade e a Justiça; por tal postura foi condenado pelo Estado decadente.

 

Para seu discípulo Platão, as virtudes seriam arquétipos que o ser humano traz consigo ao nascer (contrariamente ao conceito de pecado original colocado séculos depois na cultura ocidental), mas que, misteriosamente, ficariam aprisionadas no ser humano, esperando a liberação de seu mutismo. Haveria no Universo um impulso natural para a perfeição; os arquétipos estariam no mundo metafísico revestidos de profunda realidade e permanência. Os seres seriam transitórios, os arquétipos permanentes. O homem existira antes de sua existência temporal como arquétipo.

 

Aristóteles, herdeiro do pensamento de ambos, afirmara que a Natureza é um processo de autorrealização e autoaperfeiçoamento. O homem tem de transformar-se em Homem (humanismo). O que distingue o homem do animal é a razão. O sentido da existência seria o conhecimento. “Tudo da Natureza traz algo de divino em si.” A divindade é imanente à Natureza e não exterior a ela.

 

“Não se deve escutar a advertência daqueles que dizem que o homem deve pensar apenas no humano, o mortal apenas no mortal: antes, devemos empenhar-nos, tanto quanto o possível, em ser imortais.”

 

Interessante observar como os três pensadores se confundem num só, se complementam. Sabe-se que Sócrates foi um mestre oral, nada deixou escrito; todas as referências provêm de Platão, seu discípulo. E essas idéias atravessaram séculos de obscurantismo espiritual. E as palavras atribuídas a ele ao término de sua defesa viajaram no tempo como um misterioso sinal a ser decifrado: “É chegada a hora de partir: a mim, para morrer; a vós, para viver. Quem de nós enfrentará o melhor destino é desconhecido de todos, exceto de Deus.”

 

Existe um paralelismo entre o pensamento de Spinoza e o de Sócrates que diziam de formas similares que o homem não era o compacto, o tocável, senão o invisível, o da essência. Afirmavam que todo o ser humano tinha em seu interior tudo para se desenvolver; que deveria primeiro conhecer-se, e depois o que o cercava; que o princípio da sabedoria consistiria no reconhecimento da própria ignorância. Ambos foram condenados pelo poder político, por opor-se às idéias dos governantes e não cultuar suas personalidades, e nem as divindades do Estado.

 

Apesar de ter a oportunidade de fugir, o filósofo grego não o fez. "Sócrates é imortal. Podem matar o invólucro de Sócrates, mas Sócrates é imortal." E, segundo Platão, enfrentou a morte com serenidade. Talvez por ter compreendido que a morte verdadeira fosse o não pensar, a submissão aos pensamentos pensados por outras pessoas e à cruel ditadura dos mercadores da verdade.

 

Embora estes filósofos, como tantos outros que os sucederam, tivessem intuído um caminho e um conhecimento que transcendesse o dia-a-dia rotineiro de uma vida materializada e vazia, não conseguiram vislumbra-lo com clareza nem tampouco trilhá-lo, para que pudessem depois ensinar às gerações que lhes sucederiam. Deixaram marcos, avisos, alertas que não foram tomados em conta, e a humanidade mergulhou nos fanatismos de toda a espécie, sejam políticos ou religiosos, sempre muito próximos, e que têm distanciado a humanidade da verdade, que a tem separado em ideologias, raças, religiões, partidos políticos.

 

O que significa afinal preocupar-se com a alma? Como se tornar uma pessoa boa sem ser ingênua? O que é a verdade e a justiça? Como aperfeiçoar-se e transformar-se em Homem atingindo a imortalidade?

 

Cada ser humano haverá de buscar as respostas por si mesmo, pois as que foram entregues prontas não são mais que o pão amanhecido e duro da tergiversação. Respostas prontas imobilizam a inteligência, são formas padronizadas que impedem o movimento e a evolução.

 

Ao invés de procurar o elo perdido nos primatas, o homem do futuro haverá de buscá-lo em si mesmo, no seu coração e na sua consciência, na prerrogativa evolutiva que lhe foi dada neste sentido pelo Deus único que os céticos chamam de acaso, e cuja face visível é o Universo, e a invisível as suas leis que podem ir sendo conhecidas pelo homem em evolução.

 

 

Nagib Anderáos Neto

www.nagibanderaos.com.br

www.twitter.com/soaredna

 

 

 

 



Escrito por nagib às 17h03
[] [envie esta mensagem
] []





Voltaire e o Próprio Jardim

 

 

 

 

Eu lera que cada um deveria cuidar do próprio jardim naquele curioso livro de Voltaire, o Cândido. Não sei por qual motivo me interessara pelo filósofo francês. Estávamos no início da década de setenta, e a rebeldia era um fator comum na juventude universitária que gostava de ler, contestar, participar das transformações que ocorriam no âmbito das idéias por todo o mundo.

 

François Marie Arouet de Voltaire fora um rebelde. Insurgira-se contra o poder estabelecido pela nobreza e pelo clero, e suas obras críticas fizeram com que vivesse boa parte de sua vida fora do país, fugido, escondido, disfarçado. A idéia de justiça fora sempre a base de seus princípios éticos. Era contrário à intolerância, à superstição e ao fanatismo causador das guerras. Os verdadeiros benfeitores da humanidade não seriam os generais, senão os filósofos, os cientistas, os poetas.

 

Ele foi considerado o príncipe do Iluminismo, das luzes, da clareza. Teve seus escritos queimados e foi difamado por ter lutado pelas liberdades individuais, pela tolerância, pela paz, contra as injustiças. Seus principais inimigos eram as superstições e o fanatismo que levavam ao crime e à “loucura infernal“. Tinha esperança numa nova geração onde imperasse o reino da razão, e um conceito avançado de Deus como sendo a inteligência disseminada na Natureza; era contrário à tendência corrente de impingir em Deus características humanas. Terminou seus dias cético, mergulhado num mundo fanatizado por idéias, fronteiras, etnias e religiões diversas.

 

Do Cândido recordo-me do jardim - a metáfora que indicava que cada um deveria cuidar muito bem da própria vida -. Mas como? Como cuidar dela como se fosse um jardim, cultivando plantas e árvores que a embelezassem e compusessem a paisagem de uma rua, uma cidade, um país? Como deixar de se ocupar dos jardins alheios, ficando o próprio descuidado, desarrumado, cheio de ervas daninhas e flores murchas?

 

Com o tempo e os anos que se sucederam compreendi que a vida deveria ter um  significado e um objetivo claro ; que viver por viver acabaria por levar a mim - ou a quem assim o fizesse - para um beco sem saída, um muro de lamentações e  desditas; que viver deveria significar, antes de tudo, aprender a se conduzir por estes caminhos, tantas vezes tortuosos, criados pela incompreensão humana; que dentro desta grande oportunidade  eu poderia aprender a conviver com os semelhantes.

 

Muitos anos depois eu leria numa conferência pronunciada por González Pecotche em Buenos Aires que cada um deveria deixar de se ocupar das mentes alheias. Recordei-me das antigas leituras juvenis e da rebeldia do filósofo francês. Deixar de ser autômato, comandado por preconceitos seculares, pensar por própria conta, ocupar-se da própria vida, da própria mente, para que ela pudesse se transformar num belo jardim.

 

“A vida deve ser cuidada e enaltecida; devem ser cultivadas todas as possibilidades que encerra e fazer dela um jardim, que seja apenas pela felicidade de recolher, de quando em quando, de cada planta que a própria mão semeou, cultivou e aperfeiçoou, uma flor. O conjunto de todas estas plantas serão as obras realizadas; as flores, as conseqüências úteis dessas obras. Porém, a planta principal, a planta humana, na qual se concentram todos os movimentos da concepção interior, esta merece o maior dos cuidados e a maior atenção” dissera o pensador  numa palestra preferida em Montevidéu no ano de 1947.

 

 

 

                                                           NAGIB ANDERÁOS NETO

                                                                                               www.nagibanderaos.com.br

                                                                               

 



Escrito por nagib às 15h02
[] [envie esta mensagem
] []





A Muralha da Muralha da China

 

 

 

 

Não bastasse a extensa e duvidosa muralha física que cerca o continental império chinês, agora ela se estende aos âmbitos eletrônicos com severas restrições de acesso à informação pela internet para que o mundo não saiba das atrocidades que lá se comete e o escravizado povo não receba os ares da pouca liberdade que existe no mundo ocidental dito livre.

 

Em “Outras Inquisições” Borges menciona o imperador Shih Huang Ti que ordenou que se construísse a infinita muralha para defender-se da invasão de bárbaros, e que todos os livros existentes antes dele fossem queimados, possivelmente para defender-se dos pensamentos e idéias que pudessem despertar seus súditos do sono da escravidão. Renunciar ao passado e isolar o império do mundo foram medidas que influenciaram o destino daquele povo. Ele não chegou a compreender, como tantos outros déspotas construtores de muralhas, que as soluções dos problemas humanos dependem do entendimento e da união entre os homens.

 

No decorrer dos séculos, as coisas não mudaram muito naquele longínquo império.

 

Não se pode apagar a Verdade contida nos livros, pois ela está estampada na Natureza e inscrita nas consciências. E piores são as muralhas mentais que separam a alma humana de sua consciência, tornando os homens violentos, irascíveis, desumanos e desunidos.

 

Os imperadores, os reis e os ditadores sempre estabeleceram uma sutil ligação entre teologia, tirania e despotismo. Os deuses inventados pelos homens sempre foram invocados para justificar atrocidades inomináveis, a escravidão e o terror. E não há maior terrorismo que a abominável submissão imposta pelo temor e pela mentira. Os escravizadores são os impostores de uma teocracia absurda que muitos chamam de política, que deveria ser a arte de gerir o bem comum, mas passou a ser a arte de chegar ao poder e permanecer nele indefinidamente, como muito bem sabem fazer os políticos e dirigentes que se eternizam em seus cargos nos dias de hoje.

 

O esférico Deus de Hermes Trimegistus, “uma esfera inteligível cujo centro está em todas as partes e a circunferência em nenhuma”, não quereria súditos escravizados, temerosos e ignorantes, porque vivendo em seus corações, não poderia ser contrário ou inimigo de Si mesmo, que tudo contém e com o que se confunde.

 

Ao invés de construir muralhas, o ser humano do futuro construirá pontes mentais de entendimento, caminhos que unam os homens e que integrem os fragmentos perdidos para que possam sentir e compreender o Deus invisível que está eloqüentemente presente nos grandes sentimentos, como na amizade, verdadeira ponte invisível que permitirá que a humanidade sobreviva.

 

O amigo que se ausenta deve ser recordado sempre para que não morra pela segunda vez; a sua sobrevivência dependerá desta recordação que será um tributo àquele espírito que continuará vivendo. E serão os nossos amigos que estarão presentes nas celebrações da vida e da morte. A amizade não pode ser uma ligação passageira e interesseira, senão a confortante experiência de estar acompanhado. E não se pode ser amigo de alguém se não se é de si mesmo. O sopro divino que habita o coração dos que são amigos desconhece as grosseiras muralhas dos defeitos pessoais. A amizade, em seu profundo significado, implica o amor que é a síntese e a essência do Deus único. Um amigo é como um espelho que pode nos ajudar no caminho evolutivo. Nesta mágica relação poderemos aprender muito.

 

Diante de uma ausência que parece ser irreparável, deveremos pensar que a vida celebra a vida, e que a alegria e a amizade sustentam o ser humano nos anos de sua vida terrestre. E que essa ausência não é mais que um sinal e um convite para que continuemos a nos ver e a nos falar através da recordação.

A amizade é um sentimento que dignifica a espécie humana; capaz de elevar a conduta pessoal a níveis de desprendimento, humanismo e heroísmo que chegam a surpreender a opinião do mais frio observador. No entanto, apesar disto, é fugaz, efêmera. Quantos distanciamentos incompreensíveis! Quanto sofrimento nas separações que jamais se cogitou! Quanta incompreensão! E a que se deve tudo isto? Por que o sentimento morre como se nunca tivesse existido?

 

Um amigo é uma riqueza imponderável que nos acompanha sempre. Nem mesmo o distanciamento ou a morte poderá abalar uma amizade conscientemente cultivada. Cada amizade é como uma planta que poderá florir se dispensarmos a ela o cuidado que exige tudo aquilo que queiramos que seja permanente em nossa vida. Para mantê-la será necessário aprender a protegê-la de pensamentos mesquinhos, interesseiros e egoístas; será necessário aprender a perdoar um agravo e compreender que por detrás dele deve haver algum defeito, algum equívoco comum a qualquer pessoa.

 

Os defeitos pessoais são muralhas psicológicas que precisam ser removidas com inteligência, como as da China, para que o homem possa conviver melhor consigo mesmo e com os semelhantes, e compreender qual a finalidade de sua vida no planeta.

 

Nagib Anderáos Neto

www.nagibanderaos.com.br

www.twitter.com/soaredna

 

 

 



Escrito por nagib às 16h59
[] [envie esta mensagem
] []





Conhecimento Versus Agnosticismo

Tudo o que sei é que nada sei, teria dito Sócrates, a personagem de Platão. Eu menos, pois nem sei se nada sei, escreveu Fernando Pessoa no poema Agnosticismo Superior.

O agnosticismo só admite conhecimentos adquiridos pela razão e evita qualquer conclusão não demonstrada. Ele trata as questões metafísicas como discussões inúteis, por serem, em sua visão, realidades incognoscíveis.

Quem formulou o tema por primeira vez foi o biólogo inglês Huxley no século XIX. Em sua origem, a palavra significa aquilo que é oposto ao conhecimento. O sentido empregue pelo cientista parece ter sido de que Deus jamais poderia ser conhecido.

Os homens criaram um deus a sua imagem e semelhança, uma personagem na qual se poderia acreditar ou não. Nesse sentido, o agnóstico seria a pessoa que não aceita ou não acredita naquela invenção, pois o deus criado pelos homens expulsou-os do paraíso por terem eles provado o fruto proibido do conhecimento, quando uma inteligência esclarecida haveria de supor que somente através dele, o conhecimento, se poderia aproximar-se Dele.

Paradoxalmente, os agnósticos não acreditam também na não existência de Deus, pois da mesma forma, para eles, que a existência de Deus não pode ser provada pela razão, sua inexistência também não o pode.

São lucubrações realmente confusas. Se Deus se confunde com a própria criação, como um homem se confunde com sua vida, seus filhos, seus amigos, suas obras, Ele pode, sim, ser conhecido.

O conhecimento do Universo físico, tal como a ciência tem empreendido, é uma forma de se chegar a Ele. O conhecimento da figura humana em sua conformação psicológica e espiritual, alem da biológica, é também uma complementação daquele. Pensamentos, sentimentos e emoções não são físicos, manifestam-se através do corpo, mas são metafísicos e cognoscíveis. Se atentarmos bem, a realidade do mundo metafísico é tão ou mais eloqüente que a do físico, por ser aquele o mundo das idéias, dos ideais, dos projetos, dos sentimentos, dos pensamentos e sonhos. Ao sonhar, podemos vivenciá-lo como quando experimentamos uma maçã. Todo artista toca neste mundo ao criar a sua obra e experimenta uma sensação sublime e indizível ao fazê-lo. Qualquer ser humano ao sonhar adentra a este mundo ao tornar-se ator e espectador naquela viagem.

Para os evolucionistas, o homem e o macaco teriam uma ascendência comum. Eles descartam a existência de Deus e concebem todo o Universo como obra do acaso. Os criacionistas cristãos acreditam que Deus criou o mundo como ele é; e assim também o homem. Os criacionistas evolucionistas julgam que Deus criou e foi o início de um Universo em permanente movimento, evolução e transformação, e que está presente em sua Obra.

 Não podemos deixar de considerar que a biologia evolutiva é uma realidade e que há muito o que descobrir e aprender sobre o processo evolutivo. A realidade da evolução é incontestável; e o homem pode experimentá-la dentro de si conscientemente, e não apenas constatá-la materialmente. A evolução não se dá apenas por seleção natural. No homem ela pode ser realizada por seleção mental de pensamentos e idéias que tendam à evolução. Por tal fato, não é uma ilusão ponderarmos que somos súditos privilegiados nesta parte do Universo conhecida por termos mente e sensibilidade; capacidade de criar.

A crise que se vive, mais do que ambiental e cultural é uma crise espiritual que tem afastado o ser humano de seus irmãos pelos fanatismos, pela idolatria e pela ignorância. Tudo evolui. O homem precisa evoluir, mental e espiritualmente falando, para deixar de ser cético e crente no que desconhece. Só o conhecimento libera; e a ele não se chega senão através de processos que tendam à evolução.

Não somos um tipo de macaco que reluta admiti-lo. Somos seres humanos que evoluem biologicamente e que podem chegar a fazê-lo espiritualmente se decidirem tomar as rédeas do próprio destino e transformar-se psicológica e espiritualmente; à matemática biológica se deverá agregar a psicológica e espiritual que permitirão a complementação da evolução material. O Universo e o homem não são relativos.

O ponto de conciliação entre criacionistas e evolucionistas parece ser aquele que aponta o Universo como a face visível de Deus, e suas Leis, a invisível.

O homem nasceu para ser livre. Sua tristeza é ver-se acorrentado à escravidão mental imposta por preconceitos que sobrevivem em sua mente incompreensivelmente. Cada qual pode ser seu próprio Deus experimentando aquela liberdade e a consciência de existir. Os grilhões mentais são mais cruéis que os que sangravam os corpos de nossos antepassados que aqui foram a nossa vergonha e também a de Darwin.

 

Nagib Anderaos Neto

WWW.nagibanderaos.com.br



Escrito por nagib às 16h02
[] [envie esta mensagem
] []





Marquês de Condorcet

 

“Uma bela tarde em Paris, pelos fins do século XVIII, homens importantes da época reunidos na casa de distinta personagem”. Assim o escritor Bulwer Lytton, em seu romance Zanoni, ambienta um breve discurso de Condorcet, à época com grande reputação. E o nobre francês de nascimento, ali transformado em personagem, falou com toda a eloqüência:

 

“É absolutamente necessário que a superstição e o fanatismo cedam lugar à Filosofia. Os reis perseguem as pessoas, os sacerdotes perseguem as opiniões. Quando não houver reis, os homens estarão seguros; quando não houver sacerdotes, o pensamento será livre. Então começará a Idade da Razão! Igualdade de instrução, igualdade de instituições, igualdade de fortunas”.

 

“Sob a mais livre das constituições, um povo ignorante é sempre escravo”, escreveu certa vez o inspirado francês Marie-Jean-Antoine-Nicolas Caritas Condorcet.

 

Literato, filósofo, economista, matemático e político,  sucumbiu numa prisão parisiense no ano de 1794 nas mãos dos terríveis jacobinos liderados por Robespierre, depois de ter colaborado ativamente naquele movimento revolucionário que pretendia acabar com os desmandos de uma monarquia abusiva, mas acabou tornando-se o primeiro grande movimento terrorista de que se tem noticia. “A arma da Revolução é o terror”, afirmava Robespierre, o pai de todos os terroristas, transformado em personagem na “Morte de Danton” do escritor George Buchner; e a Revolução Francesa o berço dos indignados que imaginavam que o terror e a violência pudessem resolver as desavenças que a inteligência e a sensibilidade humanas não souberam conciliar; e o inspirado Marquês de Condorcet, uma das mais ilustres vitimas do terror naquele tempo.

 

Condorcet concebia a possibilidade do aperfeiçoamento humano. Foi contagiado pelo otimismo e indignação de Voltaire, de quem foi editor, contra os impostores e ditadores.Em “Esboço de Um Quadro Histórico dos Progressos do Espírito Humano”, sua visão otimista fica muito evidente, contrapondo-se ao pessimismo de alguns pensadores da época. Foi vítima do terror por ser contrário à hegemonia ditatorial dos jacobinos - impostores de estreitas luzes que até hoje têm assento em muitas instituições - que não admitiam oposição de nenhuma espécie e se refestelavam no poder indefinidamente. Considerava que o desenvolvimento humano não poderia coexistir com os preconceitos e as crenças, pois estaria alicerçado na liberdade de pensar; que o progresso coletivo dependia do progresso dos indivíduos, material e espiritualmente falando.

 

Condorcet idealizou a escola pública na França que foi modelo para todo o mundo; defendeu as liberdades da mulher, as aposentadorias e pensões, o combate às guerras, o controle inteligente da natalidade.

 

Com tantas idéias, vontade de viver e otimismo, ele morreu solitário nos porões do terror, sufocado pelo ódio dos poderosos para os quais tudo se resume no poder, na riqueza e no jogo de seus mesquinhos interesses.

 

O que os impostores e os ditadores não compreendem é que os pensamentos criados pelos Condorcet sobreviverão e chegarão às mentes de muitas pessoas no futuro, transportando os ideais de progresso e aperfeiçoamento humanos através do fomento ao estudo e à educação; e que violência alguma conseguirá calá-los. Os homens do futuro poderão liberar-se das amarras seculares que engendram os ódios, os rancores e as guerras.

 

A humanidade deve muito ao Marquês de Condorcet e haverá de honrar a sua memória comungando com os nobres ideais que inspiraram a sua vida.

 

Nagib Anderáos Neto

www.nagibanderaos.com.br

 



Escrito por nagib às 11h59
[] [envie esta mensagem
] []





Os Colecionadores

 

 

 

Há pessoas que colecionam frases e pensamentos como se fossem borboletas inanimadas, palavras mortas, folhas murchas e sem vida com as quais se marcam as páginas esquecidas de livros que nunca terminam de ler. São os colecionadores de coisas inanimadas que perigam transformar-se nelas atravessando o tempo exalando tristeza e desolação.

Lembra-me um livro que nunca cheguei a terminar de ler na adolescência cujo título era “Hei de Vencer”. Durante muitos anos deixei aquela capa voltada para mim em na pequena escrivaninha imaginando que repetindo aquelas palavras diariamente eu chegaria a realizar todos os meus sonhos. A vida ensinou-me que palavras sem vida nada podem transformar; e que eu deveria criar as minhas próprias palavras infundindo-lhes vida através do esforço constante por compreender-me e o que me cerca, e realizar a impostergável tarefa do aprendizado diário.

Repetir palavras sem vida é uma tarefa triste, inútil e sem esperança.

Lá pelos idos de 1968 ganhei de presente “O Guardador de Rebanhos” de Alberto Caieiro, o misterioso heterônimo de Fernando Pessoa. Tio Paulo de Lima presenteou-me a obra que habitara sua biblioteca por muitos anos numa daquelas frias e úmidas noites paulistanas de Julho em sua casa à Rua Arthur de Azevedo. Era uma terceira edição datada de 1958 realizada pela Editora Ática de Lisboa que ele havia comprado na livraria Pedro Siciliano da Rua Dom José de Barros. Eu era um jovem que gostava de leitura e o presente era especial, do acervo pessoal daquele velho homem apaixonado pela vida e pela literatura. Devorei a obra no dia seguinte, mas a página 23 do “Guardar de Rebanhos” fixou-se para sempre em minha recordação. Havia uma flor seca e esmagada entre as páginas 22 e 23 onde o poeta dizia:

 

Ao entardecer, debruçado pela janela,

E sabendo de soslaio que há campos em frente,

Leio até me arderem os olhos

O livro de Cesário Verde.

Que pena que tenho dele! Ele era um camponês

Que andava preso em liberdade pela cidade.

Mas o modo como olhava para as casas,

E o modo como reparava nas ruas,

E a maneira como dava pelas coisas,

É o de quem olha para as árvores,

E de quem desce os olhos pela Estrada por onde vai andando

E anda a reparar nas flores que há pelos campos...

Por isso ele tinha aquela grande tristeza

Que ele nunca disse bem que tinha,

Mas andava na cidade como quem anda pelo campo

E triste como esmagar flores em livros

E por plantas em jarros.

 

Ao olhar e tocar aquela seca flor esmagada que até hoje está ali em meu pequeno livro, senti a angustia de Cezario Verde, um preso em liberdade a andar pela cidade onde tantas vezes se tem a impressão de que tudo é falso, artificial, antinatural.

Fernando Pessoa – na voz de seu mestre-heterônimo Alberto Caieiro – faz-nos refletir sobre a inutilidade de colecionar coisas mortas, palavras sem vida, conhecimentos inanimados.

No instrutivo livro “Diálogos”, do pensador Carlos Bernardo González Pecotche, em seu colóquio de número 31, diz o autor:

“Uma coisa é aprender pelo mero fato de saber algo novo, e outra, quando o saber é empregado para alcançar uma efetiva superação. No primeiro caso, os ensinamentos viriam a ser como as borboletas que anunciam o bom tempo, alegrando o campo florido das ilusões com o vistoso colorido de suas asas delicadas e graciosas. É fácil tocá-las e mais fácil ainda deleitar-se com elas, espetando depois seu pequeno tórax para colecioná-las sobre um cartão opaco”.

“Todavia, enquanto se faz isto, o tempo bom que elas anunciaram vai passando sem ser aproveitado, perdendo-se assim oportunidades difíceis de recuperar.”

“Consideremos, então, que enquanto os conhecimentos se mantêm ativos em alguns, aproveitando com eles o bom tempo, em outros permanecem estáticos como as borboletas que jazem espetadas na cartolina do colecionador”.

 

 

Nagib Anderáos Neto

www.nagibanderaos.com.br

 



Escrito por nagib às 16h52
[] [envie esta mensagem
] []



 
  [ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]